sexta-feira, 2 de julho de 2010

breve histórico: deslugares: desapropriações e reapropriações



















grupo vieses - 2006

“segundo hannah arendt, os territórios são espaços de ação e de poderes e a memória daquele espaço/território, que gradativamente vai sendo devastada pela extraordinária e impassível força dos interesses considerados públicos, nos fez refletir sobre a frágil demarcação daquilo que seria considerado privado.”

O grupo vieses foi coletar imagens na av. antônio carlos (via movimentada de bh, que na ocasião era transformada pela duplicação de seu espaço). antes da coleta – e durante – nos deparamos com reflexões a respeito do que envolve o espaço privado e o público; a respeito da desapropriação, dos históricos e das memórias. num pensamento filosófico e também político, nos envolvemos com questões que abrangem o coletivo e o indivíduo, enquanto registrávamos as imagens. Dialogamos sobre a construção e a desconstrução, a ocupação e a desocupação. Enfim, coletamos imagens e momento do processo na avenida, onde construções (várias, mais antigas) estavam sendo derrubadas e os tratores e caminhões amontoavam e levavam os entulhos, que por vezes estavam juntos a objetos pessoais de moradores/trabalhadores, além de partes internas evidentes das moradias e lojas.
Este momento de coleta, que se repetiu por duas vezes nas ruas, entrando em casas abandonadas, indo aos entulhos, percebendo os objetos, fragmentos, e as marcas deixadas por outros que ali também estiveram após as desapropriações, foi de grande valia às componentes do grupo, pois que as discussões advindas surgiram e nos estimularam. As leituras e as observações foram enriquecedoras ao processo de cada uma dentro das reflexões e poéticas da arte contemporânea.

3 comentários:

Beloní Cacique Braga disse...

Oi Giane

Conheci este espaço da avenida, pois estudava na antiga FAFI-BH. Gostei da proposição de imagens, depois gostaria de saber os desdobramentos das conversas e das imagens.

Bjs de fim de semana

DASCipriano disse...

Observamos que a noção de “demarcar território” subsiste nesse ambiente, desconstruído por uma ação de políticas públicas, quando a história e o envolvimento das pessoas que ali habitavam ficam registrados nos destroços de azulejos, pedaços de paredes, restos de alvenaria e marcações através de escritas...

Quanto tempo se passou, quantas mudanças, a mesma poesia...

giane. aprendiz. disse...

beloni, as imagens estão se desdobrando agora, principalmente. sobre as conversas, como disse na postagem, foram tão produtivas entre as integrantes do grupo, especialmente, que nos renderam muitos aprendizados e entendimentos dentro do tema abordado.