terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

breve histórico: restos deixados











restos deixados - fotografia - 2004
(tipografia ilustrada)

Fragmentos deixados e/ou jogados nas ruas:
Todo material tem algo a dizer. Pequenos objetos ou parte deles, nas ruas, são caracterizados como lixo, pedaços inúteis para o homem, desprovidos de qualquer serventia. Mas estão ali, são pequenos corpos, inteiros ou fragmentados pelo tempo ou pela ação do homem ou algum animal.
Ao me ver em compromisso com a proposta de trabalho tipográfico, passei a observar as ruas, o nosso meio externo tão rico de informações como poluído em algumas circunstâncias.
Sempre tive minha atenção voltada para o que acontece e existe ao redor. Ver e observar objetos classificados como lixo pela sociedade com olhar diferente não é nenhuma novidade, voltar-me a eles a procura de letras, sim, foi observação inédita.
Todo objeto fala de si, e de quem o manejou, talvez fale até de quem o observa, já que só nos desperta interesse aquilo que nos é familiar.
Nenhum material é isento de expressão se sobre ele depositarmos um olhar, poético, tanto quanto plástico. Sim, é claro, só terá valor se nos instigar, atraindo-nos com algo que possui: cor, forma, semelhança com algum outro que ficou em nossas memórias, trazendo nossas lembranças para o presente, materializando-as de certa maneira.
Ver letras em pequenos objetos encontrados no chão foi como outrora ver formas figurativas nas nuvens. As formas não estavam lá, nós as criávamos, eram nuvens! Como criei agora as letras nos objetos que observei pelas ruas.
O trabalho foi prazeroso, buscar letras nos ‘lixos’ e galhos esquecidos no chão.
Quero ressaltar que todos os objetos fotografados, relacionados com as letras não foram montados por mim, fotografei-os como os encontrei nos ambientes.
obs: foi feito todo o alfabeto, embora aqui eu esteja apresentando apenas algumas letras.

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